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Incertezas políticas fazem com que gestores reduzam otimismo sobre o cenário econômico, aponta Mercer

09-06-2017 - 14:42:49

 

Pesquisa realizada pela Mercer aponta que as incertezas políticas decorrentes dos desdobramentos da delação premiada dos controladores da JBS envolvendo o presidente Michel Temer e seu núcleo próximo geraram uma redução no otimismo do mercado em relação ao cenário econômico brasileiro e sua possível recuperação ainda para este ano. A pesquisa inicialmente foi realizada no mês de abril,antes das delações com 27 gestores que representam um total de R$ 3 trilhões de ativos sob gestão, sendo atualizada após a divulgação das denúncias envolvendo o presidente, em maio, com 12 gestores dessa amostra de 27. “Antes dessa crise, notamos que os gestores tinham um pouco mais de direcionamento em relação ao caminho da economia”, diz o consultor de investimentos da Mercer, Raphael Santoro. “Antes eles davam como certo a aprovação das reformas do governo, por exemplo, e agora já se vê que eles não estão tão certos assim”, complementa.

Essa incerteza fez com que as projeções para recuperação da economia em 2017 fossem reduzidas. A mediana de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) projetado inicialmente pelos 27 gestores foi de 0,40%, sendo reduzida, após a crise, para 0,39%. Já a expectativa de rendimento para títulos pré-fixado caiu de 13,9% para 13,80%, enquanto dos títulos indexados a inflação tiveram redução de 16,21% para 15,03% na projeção dos gestores. “Vimos uma desaceleração na expectativa de redução de taxas de juros, apesar dos gestores ainda terem a visão de que essa taxa vai cair. A expectativa de retorno dos prefixados e indexados à inflação ainda é boa, mas teve essa desaceleração após as delações” salienta Santoro. “A visão geral é que, enquanto se esperava que a rentabilidade dos títulos seria maior este ano, e menor em 2018, agora se inverte e deve ser menor este ano e maior no próximo”, diz o consultor.

Raphael Santoro salienta, contudo, que os gestores ainda estão com pouca informação para dizer se efetivamente vai haver uma ruptura do cenário econômico este ano. “A visão que tivemos é que o cenário que era mais otimista ganhou novas probabilidades, mas o curso continua o mesmo. Certamente, agora as assets estão mais apreensivas em relação a fatores que eram dados como certos”, destaca. Caso as reformas do governo não sejam aprovadas nos próximos meses, as expectativas devem ser ainda mais reduzidas, aponta o consultor. “Pode haver um pessimismo muito maior”.

Investidores - A pesquisa indica que ainda existe muita insegurança para a tomada de decisões de investimentos diante desse novo cenário. Para os fundos de pensão, a Mercer recomenda que a diversificação das carteiras é um ponto crucial para proteção e redução do risco das carteiras, com alocações em diferentes segmentos e em ativos com baixa correlação. “É preciso rever as estratégias e questionar fortemente quão diversificada a carteira de investimentos está”, explica Santoro.

Além disso, é preciso analisar o risco de reinvestimento, rever fluxos de caixa e adequar a carteira para reduzir esse risco de reinvestimento. “No caso dos planos de benefício definido, que têm formação maior em NTN-B, as entidades devem se antecipar aos vencimentos futuros que devem ocorrer nos próximos dois anos, dado esse cenário de queda da taxa de juros”, explica o consultor. “É necessário verificar se vale alongar mais e investir o caixa a uma taxa mais baixa que a atual. Quem puder se antecipar para garantir taxas mais longas deve ter resultados melhores”, complementa.


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