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Em carta a investidores, presidente da Gradual Investimentos acusa Incentivo de má gestão

11-07-2017 - 18:32:28

 

Menos de uma semana após a deflagração da Operação Papel Fantasma, da Polícia Federal, que investiga fraudes em investimentos de regimes próprios em fundos administrados pela corretora Gradual Investimentos, a presidente da corretora, Fernanda de Lima, enviou carta aos investidores e clientes com o objetivo de se defender das acusações.

Na carta, Fernanda de Lima aponta a gestora Incentivo Investimentos como responsável pelas operações que são alvo da investigação da Polícia Federal. Fernanda alega que “a Gradual não atua na gestão de fundos, sendo apenas administradora. E é a gestora, e não a administradora quem escolhe os ativos que irão compor o fundo”. A executiva diz ainda que “todos os fundos sob investigação tinham a Incentivo Investimentos como sua gestora”. Ainda na carta, Fernanda de Lima diz que a Gradual questionou a Incentivo Investimentos sobre “despesas não autorizadas”, e que todos os ativos da carteira dos fundos que eram geridos pela Incentivo foram adquiridos antes da Gradual assumir a administração dos mesmos.

A executiva diz que em julho de 2016 a Dulcini S.A., que seria a maior devedora dos quatro fundos que estavam sob gestão da Incentivo Investimentos (Multisetorial Incentivo l, Multisetorial Incentivo ll, Piatã e FIC FI) ficou inadimplente, e a própria Gradual exigiu a execução das garantias em favor dos fundos. "A Dulcini S.A. captou empréstimo de R$ 93,5 milhões junto aos quatro fundos da Incentivo Investimentos. Foi neste momento, em represália à atuação e diligência lideradas pela Gradual, que a Incentivo e o advogado Leandro Chiarottino iniciaram o processo de desconstrução da imagem e o aniquilamento da reputação da Gradual", aponta na carta.

Fernanda de Lima defende que a ITS@ Tecnologia, empresa apontada pela investigação como “fantasma”, e a qual a Polícia Federal diz que não funcionamento regular, nem funcionários ou website, é uma empresa que utiliza a estrutura administrativo financeira da Gradual e atua com desenvolvedores que são prestadores de serviços. “O fato da ITS@ não ter ativos fixos não significa que ela não irá honrar suas dívidas. Os ativos de uma empresa de tecnologia são a propriedade intelectual dos seus sistemas, e os seus desenvolvedores”, diz na carta. A executiva não explica, contudo, as acusações de que o sócio da empresa é Gabriel Paulo Gouvea De Freitas Junior, seu marido e também sócio da Gradual.

A presidente da Gradual também acusa os sócios da Incentivo Investimentos, André Arcoverde, Maurício Kameyama e Isaltino Andrade, de exigirem o pagamento de 25% de propina sobre o valor investido na ITS@, que por sua vez e recusou a pagar e apresentou um programa de recompra. “Esta recompra vem sendo respeitada, e hoje restam pouco mais de R$ 3 milhões de debêntures da ITS@ no Fundo Piatã”, diz Fernanda de Lima.

A Gradual já assumiu a gestão dos Multisetorial I, II e Piatã e alega que "zela pelos interesses dos cotistas".

Entenda o caso – Na última quinta-feira, 6 de julho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Papel Fantasma, que investiga investimentos em papéis sem lastro realizados por institutos de previdência municipais. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A operação decorre de inquérito policial instaurado em janeiro deste ano após a PF receber uma denúncia contra administradores da Gradual Investimento que supostamente adquiriram diretamente debêntures emitidos pela ITS@ Tecnologia. A PF descobriu que os diretores dessa empresa e os sócios da corretora são as mesmas pessoas.

Em coletiva de imprensa concedida pelo chefe da delegacia de combate à corrupção e crimes financeiros da Polícia Federal de São Paulo, Victor Hugo Rodrigues Alves, foi revelado que que regimes próprios de previdência de pelo menos oito municípios aplicaram nos fundos de investimento oferecidos pela corretora. Rodrigues Alves não forneceu informações sobre os institutos e municípios envolvidos, adiantando apenas que estão distribuídos por mais de um estado brasileiro.


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